Abrir uma filial na França exige o registro no Registre du Commerce et des Sociétés (RCS), o equivalente francês ao registro comercial brasileiro. O processo requer a entrega de documentos societários brasileiros traduzidos para o francês, e a qualidade dessas traduções pode determinar se o registro avança sem atrasos ou fica bloqueado na triagem documental do greffe du tribunal de commerce.
O que é o RCS e o que ele exige de uma empresa brasileira
O RCS é o registro central de comércio e sociedades na França, administrado pelos tribunais de comércio locais. Qualquer entidade estrangeira que pretenda estabelecer uma succursale (filial sem personalidade jurídica própria) ou uma filiale (subsidiária com personalidade jurídica distinta) em território francês deve apresentar documentação que comprove a existência legal da empresa-mãe no país de origem.
Para uma empresa brasileira, os documentos habitualmente solicitados incluem:
- Certidão de registro na Junta Comercial (ou certidão simplificada/analítica, conforme o caso)
- Contrato social ou estatuto consolidado
- Ata da deliberação que aprova a abertura da filial e nomeia o representante legal na França
- Procuração outorgada ao representante, se aplicável
- Documentos de identidade dos sócios-administradores ou diretores
Todos os documentos emitidos em português precisam ser acompanhados de tradução para o francês. O RCS não aceita documentos bilíngues sem certificação.
Que tipo de tradução é aceito pelo RCS
A questão que mais frequentemente atrasa o processo é a certificação das traduções. O RCS exige, em regra, traduções realizadas por um traducteur assermenté, ou seja, um tradutor juramentado junto aos tribunais franceses. Essas traduções têm força probatória legal na França e são reconhecidas pelas autoridades administrativas e judiciais.
Importa distinguir:
- Tradução simples: realizada por qualquer tradutor, sem certificação. Não é aceita pelo RCS para documentos societários.
- Tradução juramentada brasileira: inclui declaração do tradutor público atestando a fidelidade da tradução. Pode ser aceita em alguns contextos administrativos no Brasil, mas não substitui a assermentação exigida na França.
- Tradução juramentada por tradutor assermenté: realizada ou validada por tradutor inscrito em lista oficial dos tribunais de apelação franceses. É o padrão exigido pelo RCS.
Na prática, a empresa brasileira deve recorrer a um prestador com acesso a tradutores assermentés ou com rede estabelecida na França. Tradutores sediados no Brasil podem ter a certificação francesa, mas isso precisa ser verificado caso a caso.
Alguns greffes também aceitam traduções apostiladas, quando o documento original foi autenticado com apostila da Convenção de Haia. Essa situação se aplica sobretudo a documentos notariais. Vale confirmar os requisitos exatos junto ao greffe do tribunal de commerce da circunscrição onde a filial será registrada, pois a prática pode variar.
Documentos que precisam de tradução e pontos de atenção
A certidão da Junta Comercial brasileira é o documento mais diretamente equivalente ao extrait Kbis francês. A tradução deve refletir com exatidão a razão social, o objeto social, o capital, a sede e os poderes dos representantes. Qualquer discrepância entre o documento original e a tradução pode gerar dúvidas no greffe e suspender o processo.
O contrato social ou estatuto consolidado merece atenção especial. Trata-se de um documento técnico-jurídico com terminologia própria, e uma tradução inadequada pode introduzir ambiguidades sobre a estrutura de governança da sociedade ou os poderes de representação.
Outros pontos a considerar:
- Datas e formatos: o formato de data na França é dia/mês/ano, mas os documentos legais franceses tendem a escrever o mês por extenso. A tradução deve respeitar as convenções locais.
- Denominações de órgãos sociais: termos como "sócio-administrador", "diretor único" ou "conselho de administração" têm equivalentes específicos em francês que não são diretamente intercambiáveis.
- Numeração de artigos e remissões internas: nos estatutos, as remissões a artigos concretos devem manter correspondência com a numeração do documento original.
- Validade das certidões: o RCS pode rejeitar certidões com mais de três meses de emissão. Vale verificar a data antes de encomendar a tradução.
Se a empresa já passou por processos de registro empresarial em outros mercados, a lógica documental é semelhante, mas os requisitos de certificação na França são distintos e não devem ser equiparados.
Apostila: quando é necessária e quando não é
A apostila da Convenção de Haia autentica a origem de um documento público, mas não certifica a sua tradução. França e Brasil são ambos signatários da Convenção, portanto a apostila é reconhecida entre os dois países.
Para documentos notariais brasileiros que acompanham o processo de registro (por exemplo, uma procuração autenticada em cartório), o RCS pode exigir apostila no documento original antes de aceitar a tradução. Para certidões da Junta Comercial emitidas por entidades públicas brasileiras, a apostila pode não ser obrigatória, mas a prática do greffe em questão deve ser confirmada.
No Brasil, a apostila é obtida junto à autoridade competente para cada tipo de documento: para documentos notariais, junto ao cartório de notas responsável ou à Central Notarial de Serviços Eletrônicos Compartilhados (CENSEC); para documentos judiciais, junto ao tribunal emissor; para certidões de registro empresarial, junto à Junta Comercial do estado.
Como a M21Global apoia a abertura de filiais na França
A M21Global trabalha com pares linguísticos PT-FR em contexto empresarial e jurídico há mais de 20 anos, com mais de 300 milhões de palavras traduzidas e presença direta na França. O serviço de tradução empresarial inclui fluxos de tradução certificada ISO 17100, com revisão independente e gestão de projeto dedicada, adequados às exigências documentais do RCS.
Para processos com prazos definidos pela constituição da filial, a equipe pode ajustar o calendário de entrega e orientar sobre os requisitos de certificação aplicáveis ao greffe específico. Solicite um orçamento para o seu processo de registro na França em m21global.com.
Serviços Relacionados
Peça um orçamento gratuito para internacionalização
- Peça um orçamento gratuito para internacionalização
- Traducao Documentos Registo Empresa Angola Iape
- Traducao Contratos Mercado Angolano
Perguntas Frequentes
O RCS na França aceita traduções juramentadas por tradutores públicos brasileiros?
Em regra, o RCS exige traduções realizadas por tradutores assermentés, inscritos nas listas oficiais dos tribunais de apelação franceses. Uma tradução juramentada por tradutor público brasileiro, sem essa inscrição, pode não ser aceita. Vale confirmar os requisitos junto ao greffe competente antes de iniciar o processo.
É sempre necessária apostila nos documentos brasileiros para o RCS?
Não sempre. A apostila é geralmente exigida em documentos notariais, mas pode não ser obrigatória para certidões da Junta Comercial. A prática varia conforme o greffe, por isso recomenda-se verificar os requisitos específicos antes de iniciar o processo.
Qual é a validade das certidões de registro empresarial aceitas pelo RCS?
O RCS tende a rejeitar certidões com mais de três meses de emissão. O ideal é obter a certidão próximo à data de entrega dos documentos e encomendar a tradução imediatamente.
Quanto tempo leva o processo de tradução dos documentos para o RCS?
O prazo depende do volume e da complexidade dos documentos, da necessidade de certificação e da disponibilidade do tradutor assermenté. Em média, para um conjunto padrão de documentos societários, o processo leva entre três e sete dias úteis. Em casos urgentes, é possível negociar prazos menores.
Posso usar a mesma tradução do contrato social para o RCS e para outros órgãos franceses?
Sim, desde que a tradução tenha sido realizada por um tradutor assermenté e não haja alterações posteriores ao documento original. Se o contrato social for atualizado, a tradução precisa refletir a versão mais recente.



